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As galerias cobertas de Paris

Galerias do século XIX, claraboias e lojas de outros tempos: o guia das galerias cobertas de Paris, uma viagem no tempo ao abrigo da chuva.

6 min16 janvier 2026

Couverture : As galerias cobertas de Paris

Antes das grandes lojas de departamento e dos boulevards iluminados, Paris já havia inventado outra maneira de passear: a coberto, sob claraboias, entre duas fileiras de vitrines. No começo do século XIX, as galerias cobertas ofereceram aos passeantes um abrigo contra a chuva e a lama, um piso de lajotas, uma iluminação vinda de cima e o luxo novo de caminhar sem pressa. Chegaram a existir mais de cento e cinquenta; restam umas vinte, como outros tantos salões secretos aninhados no coração dos prédios.

Empurrar a porta delas é atravessar uma entrada discreta e mudar de época. Mosaicos no chão, fachadas de madeira pintada, livreiros antigos, casas de chá, filatelistas e fabricantes de bengalas: essas galerias guardaram o charme abafado de um comércio de antigamente. Veja algumas das mais bonitas, para percorrer devagar, com o olhar voltado para a luz.

A galeria Vivienne, a mais elegante

Aberta em 1823, perto do Palais-Royal, a galeria Vivienne é a rainha das galerias parisienses. A rotunda dela, os mosaicos assinados por Facchina e os arabescos dela fazem dali um cenário de cartão-postal. Você encontra ali um livreiro de obras antigas de boa fama, lojas de moda, uma casa de chá sob a claraboia. A luz cai ali com uma suavidade particular, sobretudo no fim da manhã.

Qual é a mais antiga das galerias parisienses?

Inaugurada em 1799, a galeria des Panoramas é uma das mais antigas de Paris e a primeira a ter sido iluminada a gás. Hoje ela pulsa no ritmo dos colecionadores de cartões-postais e dos filatelistas, cujas lojas convivem com uma sequência de pequenos restaurantes. A atmosfera ali é viva, quase popular, fiel ao espírito das origens.

A galeria Jouffroy, o teatro do bairro

Logo em frente, a galeria Jouffroy (1846) foi uma das primeiras a ser aquecida. Você cruza ali com:

  • O Hôtel Chopin, hotel de charme abrigado no fundo da galeria desde 1846.
  • A entrada do museu Grévin e as figuras de cera dele.
  • Uma livraria de viagem, um vendedor de bengalas e de brinquedos antigos, uma papelaria.

É sem dúvida a galeria mais romanesca, com os cantinhos dela e os letreiros com pátina dela.

A galeria Verdeau e a galeria Véro-Dodat

No prolongamento da galeria Jouffroy, a galeria Verdeau (1846) atrai os amantes de gravuras, de livros antigos e de câmeras de coleção. A claraboia em zigue-zague dela banha as lojas com uma luz clara, propícia ao garimpo.

Mais ao sul, perto do Louvre, a galeria Véro-Dodat (1826) compõe um dos cenários mais refinados da capital: tetos pintados, colunas, piso em xadrez de mármore. Galerias de arte, restauradores de móveis e casas de luxo mantêm ali uma elegância discreta.

A galeria du Grand-Cerf e a galeria des Princes

Perto do bairro Montorgueil, a galeria du Grand-Cerf (1825) impressiona pela altura: quase doze metros sob uma claraboia generosa. Criadores, joalheiros e ateliês de decoração ocupam ali lojas banhadas de claridade, em um ambiente decididamente contemporâneo.

A galeria des Princes (1860), uma das últimas construídas, foi por muito tempo o reino do brinquedo. A claraboia restaurada dela e os trabalhos em ferro dela mostram o cuidado dedicado a essas arquiteturas de ferro e vidro, herdeiras dos mercados e das estações da época.

Que perfume de outro lugar existe no passage Brady?

Mais a leste, a galeria Brady (1828) conta outra Paris. Apelidada de “pequena Índia”, ela alinha mercearias, salões de beleza e restaurantes vindos do subcontinente indiano e do Paquistão. Sob a claraboia dela flutua um perfume de especiarias que transporta o visitante em alguns passos. É a prova de que essas galerias, dois séculos depois, continuam lugares vivos, capazes de receber novas histórias.

Qual galeria para qual ambiente?

A tabela a seguir ajuda a escolher conforme o humor do dia:

Galeria Época Ambiente
Galerie Vivienne 1823 Mosaicos e elegância clássica
Passage des Panoramas 1799 Colecionadores de cartões-postais e de selos
Passage Jouffroy 1846 Charme romanesco e coleções
Passage Verdeau e galerie Véro-Dodat 1846 e 1826 Gravuras, cenários refinados
Passage du Grand-Cerf e passage des Princes 1825 e 1860 Claraboia alta e estilistas
Passage Brady 1828 Especiarias e um perfume de outro lugar

Como montar seu passeio, além do mapa?

Essas galerias não se adivinham desde a rua: é preciso saber onde empurrar a porta, em que hora a luz é mais bonita, qual livreiro ou qual casa de chá merece o desvio. É justamente isso que um concierge dedicado cultiva: o conhecimento fino de uma Paris discreta, aquela que não se encontra nos guias.

Na French Realty, essa familiaridade com a cidade se põe a serviço dos proprietários e dos residentes, sob orçamento, pelo tempo realmente passado. Montar um itinerário entre duas claraboias, receber convidados e mostrar a eles essa Paris escondida: uma presença atenta para aproveitar a cidade plenamente, ali onde outros apenas a atravessam.

Perguntas frequentes

Quantas galerias cobertas restam em Paris?

Paris teve mais de cento e cinquenta galerias cobertas no século XIX; restam cerca de vinte, e as mais célebres ficam em torno do Palais-Royal e do bairro Montorgueil, na margem direita.

Qual é a mais bela galeria coberta de Paris?

A galerie Vivienne é muitas vezes citada por seus mosaicos e sua rotunda; o passage des Panoramas conquista pela atmosfera de colecionadores, e o passage Jouffroy pelo charme romanesco. Cada um tem sua hora: a luz das claraboias muda tudo.

Onde ficam as galerias cobertas de Paris?

A maioria se concentra na margem direita, em torno do Palais-Royal, do boulevard Montmartre e do bairro Montorgueil, no segundo e no nono distritos. O passage Brady, mais a leste, traz um perfume de especiarias e de outro lugar.

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