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O lance de reforço de um décimo: dez dias em que o imóvel ainda não é seu
Arrematado não quer dizer adquirido. Durante dez dias, qualquer pessoa pode retomar o leilão aumentando o preço em um décimo. O que esse prazo muda no seu calendário, e por que ele não é uma ameaça.
O martelo bate, seu advogado se vira, o imóvel é seu. É o momento em que a maioria dos compradores estrangeiros considera o assunto resolvido, compra uma passagem e liga para um empreiteiro. No direito francês, eles estão dez dias adiantados em relação à realidade.
O que acontece durante esses dez dias?
Depois de uma arrematação judicial, qualquer pessoa pode retomar o leilão aumentando o preço em pelo menos um décimo do valor principal. É a surenchère du dixième. Ela é apresentada por um advogado, por declaração no cartório do tribunal, e dispõe de dez dias contados da arrematação.
Se o prazo se esgota sem nada, sua arrematação se torna definitiva e o calendário do pagamento começa a correr. Se um lance de reforço é declarado, uma nova audiência é marcada: os lances recomeçam no preço aumentado, e você pode participar como os demais.
O ponto importante, o que tranquiliza: o lance de reforço não admite outro lance de reforço. A segunda audiência é a última, qualquer que seja o preço alcançado.
Por que essa regra existe?
Porque uma venda por execução não é uma venda entre duas pessoas que se escolheram. Ela se faz contra um proprietário que a sofre, em favor de credores que querem receber. O legislador deixou então uma porta aberta por mais dez dias, para que o preço alcançado não seja apenas o de uma sala vazia numa terça de manhã.
Do lado do comprador, a regra também protege: é a mesma porta que permite a você recuperar uma venda que perdeu por não ter visto o anúncio a tempo.
Isso é frequente?
Não, e esse é o segundo ponto que tranquiliza. O lance de reforço pressupõe que um terceiro acompanhou a venda, tem sua garantia pronta, contrata um advogado e aceita pagar pelo menos dez por cento a mais que o melhor lance do dia. Ou seja, ele aparece sobretudo quando a arrematação ficou claramente abaixo do valor do imóvel.
Esse é, aliás, o melhor indicador de que você dispõe: quanto mais perto seu lance esteve do que o imóvel realmente vale, menos razão você tem para temer esses dez dias. Uma arrematação que pareceu boa demais é exatamente a que atrai um lance de reforço.
O que o prazo muda na prática
Ele desloca a data a partir da qual você pode decidir o que quer que seja.
As obras esperam. Um orçamento se pede, e se assina depois. Enquanto o prazo corre, todo dinheiro gasto no imóvel talvez esteja financiando o projeto de outra pessoa.
A mudança espera. As datas, a transportadora, o encerramento de um aluguel em outro lugar: tudo o que custa caro cancelar se marca depois do fim do prazo, não depois da audiência.
O financiamento, esse, não espera. É a distinção a reter. O preço continua devido dentro de um prazo que corre, na prática, desde que a arrematação se torna definitiva; os recursos devem portanto estar prontos durante esses dez dias, e não encomendados ao final deles. Para um comprador cujos ativos estão em outra moeda, isso significa que a conversão e a transferência se preparam antes da audiência, não entre as duas.
Como saber se um lance de reforço foi apresentado?
Pelo seu advogado, que acompanha o cartório do tribunal onde a venda ocorreu. Não há aviso automático ao arrematante estrangeiro, nem e-mail de confirmação no décimo dia. Mais uma razão para não tratar o advogado como um prestador pontual que encerra no martelo: o mandato cobre o período seguinte.
O caderno de condições da venda indica, para aquela venda, as modalidades exatas e o calendário aplicável. É o documento a reler naquele dia, não a lembrança da sala.
E numa venda notarial?
O mecanismo do lance de reforço pertence às vendas judiciais. Os leilões notariais, que são vendas voluntárias organizadas por um cartório, seguem o caderno de encargos que o cartório redigiu: ele pode prever sua própria janela depois da arrematação, ou não prever nenhuma.
A consequência prática é simples. Nunca transponha o que você leu sobre um tipo de venda para o outro: leia o documento da venda a que você vai comparecer. As duas se chamam leilão e não correm pelas mesmas regras.
O reflexo a guardar
Considere que você é proprietário no décimo primeiro dia, não no primeiro. Não é cautela excessiva: é o calendário real, e o único sobre o qual um comprador que não está no local consegue montar um plano sem precisar desmontá-lo.
Perguntas frequentes
É possível dar lance sobre um lance de reforço?
Não. O mecanismo vale uma vez só: a segunda audiência é definitiva, qualquer que seja o preço alcançado. É isso que torna o prazo suportável, já que ele não pode se reabrir indefinidamente. Encerrada essa audiência, a arrematação está firmada e começa a contagem do pagamento.
O que acontece com a garantia depositada se alguém der um lance de reforço?
Ela é devolvida a você: você não é mais o arrematante, portanto não deve mais o preço. Você continua livre para comparecer à segunda audiência e dar lance de novo, com a mesma garantia recolocada. Nada do que foi empenhado se perde, exceto o tempo.
É preciso esperar o fim dos dez dias para começar as obras?
Sim, sem hesitar. Enquanto o prazo corre, o título não é definitivo e o imóvel ainda pode escapar. Gastar com um imóvel que pode voltar a leilão é financiar o projeto de outra pessoa. O mesmo raciocínio vale para encerrar um aluguel em outro lugar ou marcar uma data de mudança.